sexta-feira, 4 de março de 2011

A cena do crime

_Ramo duro arranha e atrapalha! Fora toda a tralha que um soldado porta!
Duas horas se passam e não cessa a chuva brava, branda a cada passo a precipitação nata. Nas trilhas tortas e lamacentas muitos lamentam a imberbe falta de senso e revoltados com a tensão que só aumenta, comentam:
_Busca estúpida por adrenalina e respeito, acabei encontrando hierarquia esdrúxula neste militarismo chulo e ainda tomo friagem nos peitos!
Bruto caminho que mata de cansaço os moços, no embaraço dos matos, ficam para trás aos poucos, não há quem disfarce, é simples observar o franzir das faces flácidas, a umidade ataca e não descarta sequer roupas de baixo, o suor desliza no rosto e a sensação de sal na boca arde a garganta com típico gosto.
Os últimos três encorajados mantêm posto, determinados e dispostos, persistem no trajeto certo, estão próximos.
_Pistas postas evidentes nunca falham, estamos pertos!
Visualizam de longe o objetivo: Um velho casebre em péssimo estado, tijolos manchados, teto apodrecido e lodo escorrido nos lados. 
Passo a passo aproximam-se.
O sargento que não conta com a sorte, nunca se importa em chutar a porta, como sempre, a mesma abre e entorta:
_Não mecha sequer um membro!
Há uma garota morta e um jovem tremendo, esse que branda como uma criança com medo:
_Não toquem nela e nem cheguem perto!
Em seus olhos é visto desespero desenfreado, parece inconsciente, inconseqüente, preocupado, previsível ao ponto de tentar algo alarmante. 
Sensitivo clima negro, os soldados ficam prontos para agirem em instantes.
O Infeliz avança nos moços armados, foi suficiente para o Cabo encorajado que tira a arma e atira em guarda, contra o ataque juvenil apavorado.
Silêncio, um minuto e nada, estão perplexos. 
Este se tornará famoso: “O caso da casa abandonada”.
O Soldado Renato tenta escrever o trágico fato no laudo policial de praxe:
_Não consigo, tenho estomago fraco, se entro ai de novo sujarei as provas de vômito fácil.
_Que soldado de rabo entre as pernas é você? Note o que faço e anote o que falo! Em posições como a nossa não se deve ter luxo de nojo, muito menos estomago fraco.
Com a caneta entre os dedos o soldado segue o enredo funesto, com atenção à voz do cabo, descrevendo caso macabro, escreve um longo laudo de mórbido contexto:
A garota encontra-se nos primeiros estágios de putrefação, indícios de tortura e espancamento indicam laminas, alicates e pinças no chão, o rosto indefinível e queimado isenta-se de couro cabeludo, seios arrancados a faca, torções de ferramentas em todo corpo desnudo, corte longitudinal em seu ventre, expondo o intestino seco e já com alguns vermes, esses que brotam também dos orifícios do corpo e de outros cortes induzidos...



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